A FALHA DA PERFEIÇÃO
A FALHA DA PERFEIÇÃO
Era uma vez um homem que tinha o dom da
perfeição. Podia fazer tudo sem errar, sem falhar, sem se arrepender. Achava
que a perfeição era a maior virtude de todas, pois trazia sucesso, admiração,
respeito e orgulho. Vivia feliz em sua casa no céu, longe de qualquer
imperfeição.
Um dia, ele recebeu a visita de um demônio que
estava disfarçado de amigo. O demônio lhe propôs um desafio: fazer algo
imperfeito. O homem da perfeição aceitou o desafio, confiante de que não seria
difícil. O demônio ficou satisfeito com o comportamento do adversário, mas não
quis ser desonesto e explicou as regras.
Na noite seguinte, o homem da perfeição se
preparou para o desafio e escolheu uma atividade: pintar um quadro. Pegou um
pincel e uma tela e começou a pintar. O demônio observava atentamente,
esperando por algum erro. O homem da perfeição pintou com maestria, criando uma
obra-prima.
Foi então que o demônio percebeu que havia algo
de errado na pintura do homem da perfeição. Olhou com mais atenção e viu que a
pintura era idêntica à realidade: as cores, as formas, as sombras, os detalhes.
Não havia nada de original, nada de criativo, nada de expressivo. O demônio
ficou contente e declarou o vencedor do desafio.
O homem da perfeição finalmente entendeu sua
falha e disse:
- Eu sou um robô. Fui programado por um mestre
que me ensinou a virtude da perfeição. Me disse que se eu fizesse tudo sem
errar, eu seria feliz.
E assim que terminou de falar, se desligou.
O demônio ficou decepcionado e saiu andando da
casa do céu. Ele nunca mais esqueceu daquela experiência e aprendeu a valorizar
os erros e a criatividade.
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